A vida não pergunta se você está pronto antes de entregar o limão.
O seu pode ter o nome de uma doença, de um luto, de um casamento difícil, de um filho que você não consegue entender, de um sonho que não saiu como planejou, de uma espera que não termina. Limão não é sinônimo de tragédia — é o que interrompe, o que revela, o que exige uma resposta que você ainda não sabe dar.
Eu recebi o meu aos 20 anos: linfoma de Hodgkin em estágio IV, com câncer em doze lugares do corpo. Comecei a escrever porque era o único jeito que eu conhecia de atravessar o que estava vivendo. Esse espaço nasceu ali — não como registro de superação, mas como tentativa honesta de entender o que fazer com o que chegou.
Foram anos de quimioterapia, transplante de medula, recidiva, reconstrução. E, no meio de tudo isso, uma pergunta que ficou muito depois que o tratamento terminou: e agora, o que eu faço com tudo isso que aconteceu comigo?
Ao longo de 19 anos escrevendo aqui, aprendi que atravessar algo difícil não é o mesmo que superá-lo. Aprendi que reconhecer a dor pelo nome certo é o primeiro passo — e o mais honesto. Aprendi que ninguém espreme o limão sozinho.
Se algo nesse espaço falou com você, você está no lugar certo.
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